• Luiz Carlos Hauly

Rural, uma conquista do Paraná


A Sociedade Rural do Paraná, que completou 60 anos de existência no dia 19, é a síntese do desenvolvimento econômico do Norte do Paraná, inicialmente fundamentado no cultivo do café e depois diversificado com outras culturas e na pecuária de corte e de leite. Nessas seis décadas, a região se tornou uma das mais produtivas do País, por meio da incorporação de novas tecnologias, mas, sobretudo, pelo denodo dos agricultores e pecuaristas. A Rural surgiu da necessidade de união dos produtores de café e foi o núcleo de consolidação dos pecuaristas, que tiveram em Celso Garcia Cid um incentivador e modelo de tenacidade. O nelore, a raça que melhor se adapta ao clima da região, encontrava nos mineiros, seus principais criadores, forte oposição para sua expansão no Paraná e outras regiões colonizadas pelos desbravadores paranaenses, como o Mato Grosso, que depois se desmembraria em norte e sul. Celso Garcia importou matrizes da Índia, numa das maiores epopéias da história econômica brasileira, permitindo, assim, que a raça se espalhasse. O Nelore, assim como o café no passado e a soja e o trigo no presente, são as colunas dorsais do nosso desenvolvimento econômico. A inconformidade está na gênese da Rural, já que sua fundação por Hugo Cabral visava também defender o cafeicultor paranaense dos concorrentes paulistas, que, mais próximos do Porto de Santos, então único terminal de escoamento do nosso produto, impunham as leis e os métodos que bem quisessem. E a inconformidade gerou o espírito de independência política que seus presidentes souberam manifestar e exercer nessas seis décadas, fazendo do apartidarismo uma das razoes do respeito e confiança que tem merecido. Um dos capítulos mais marcantes desta independência foi escrito por Omar Mazzei Guimarães ao recepcionar, na abertura de uma exposição anual, o então presidente Castello Branco e cobrar dele, incisivamente, mais atenção para os produtores rurais. O regime militar havia se instalado há pouco tempo e o ato de Omar Mazzei era um ato de flagrante insubordinação. A Rural consolidava, assim, sua trajetória de defesa intransigente – fosse quem fosse o governante e a tendência política que o orientava – dos interesses dos produtores rurais. Com menor ou maior visibilidade, todos os dirigentes da Rural fizeram a sua parte para engrandecer a entidade e torná-la cada vez mais atuante e forte na defesa de uma agropecuária moderna e eficiente e de uma classe produtora afinada com os desafios do campo, que se resumem em produtividade crescente e função social cada vez mais exigente. A Sociedade Rural é uma conquista não apenas do produtor, e sim de todo o Paraná. LUIZ CARLOS HAULY (PSDB-PR) é membro da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados.



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