• Luiz Carlos Hauly

O profeta e o arauto

LUIZ CARLOS HAULY


O presidente Lula está obstinado em ter Juscelino Kubistchek como modelo pessoal e como chefe de Estado, como demonstram suas inclementes arengas auto-elogiosas que se intensificam à medida em que se agrava a crise do governo lulista-petista.


Oxalá essa obstinação traga alguns ensinamentos que proporcionem a Lula o estabelecimento de uma nova rota de gestão e de comportamento. Porque o que mais precisamos neste momento de turbulência política – momento que necessariamente evoca outro antecessor de Lula, o deposto Fernando Collor de Mello – é de um chefe de Estado com a têmpera de JK, com sua capacidade realizadora, com seu talento de transformar sonho em realidade. Características que Lula, infelizmente para todo o país, está a anos-luz de possuir.


A construção de Brasília, que saiu do nada para ser o que é em apenas três anos e 10 meses, é a síntese do governo JK, que prometia em seus cinco anos de governo realizações correspondentes a 50 anos bem aproveitados. Prometeu e cumpriu. A obra-mor de seu governo só foi possível porque ao mesmo tempo o país experimentou, graças aos esforços de JK, uma verdadeira revolução em sua infraestrutura por meio de investimentos nas indústrias do aço, automobilística e naval, na pavimentação de estradas e construção de usinas.


Brasília era um projeto acalentado desde a Inconfidência e sua construção fora determinada em três Constituições (1891,1934 e 1946). Era um sonho, o sonho de levar o progresso às profundezas ainda inexploradas do país, e ao mesmo tempo o desafio aparentemente insuperável de se erguer – e futuramente manter – uma cidade na aridez e solidão do Planalto Central.

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