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Negada a volta dos bingos


Os deputados federais rejeitaram, na noite de ontem, a volta dos bingos e de máquinas caça-níqueis em todo o país. Depois de uma série de críticas da sociedade e das próprias entidades que ficarão responsáveis por fiscalizar a prática - a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) -, os deputados derrubaram a proposta por 212 votos a 144. A votação dos bingos entrou em pauta por conta de um acordo fechado entre o governo e a oposição com os defensores do jogo.


A negociação era para que o plenário apreciasse o Fundo de Combate à Pobreza - aprovado, no primeiro turno, por 327 votos - depois dos bingos. Embora tenha liberado a bancada, o governo pediu a rejeição do projeto, temendo os efeitos da reabertura das casas de bingo no inicio do governo Dilma Rousseff. "Votar esse bingo num fim de legislatura, sem uma discussão ampla, não é um melhor caminho. O momento não é o adequado”, pediu o deputado federal José Genoino (PT-SP).


Em plenário, os partidos de oposição (PPS, DEM, PSDB e PSOL) foram contrários. Aprovação dos bingos. O PT liderou a bancada para votar como quisesse, assim como o PV. Já PMDB, PP, PTB e PR orientaram as bancadas a aprovar a proposta. Mais cedo, os órgãos que compõem a Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla) distribuíram no Plenário um documento citando a impossibilidade de fiscalizar com eficiência os bingos - conforme matéria divulgada ontem pelo Correio.


Vários deputados também citaram prejuízos à saúde provocados pelo jogo, além de sua ligação histórica com o crime organizado. “Quatro milhões de pessoas não sabem que têm a doença do vício compulsivo da jogatina. Eu posso dar um dado de minha família: meu irmão, num jogo de carteado, perdeu um restaurante", disse Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR). Já os defensores dos bingos apontavam a criação de 250 mil empregos e a arrecadação de R$ 7 bilhões em impostos para pressionar pela aprovação da proposta.


O projeto rejeitado previa poucas restrições à reabertura dos bingos. Entre elas, estava a necessidade de distância mínima das casas de jogos para escolas, universidades, templos e igrejas, de pelo menos 300 metros. Parte do imposto, 17% dos lucros, seria direcionado para cultura, segurança pública, esporte e saúde. Os bingos estão proibidos em todo o país desde 2004, quando estourou e escândalo Waldomiro Diniz, que derrubou o então assessor da Casa Civil por envolvimento com empresários ligados ao jogo.


Por Ivan Nunes

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