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Expansão internacional traz vantagens para micro e pequenos


FONTE - FOLHA DE S. PAULO

Driblar a concorrência e ganhar economia de escala são algumas das vantagens competitivas que as micro e pequenas empresas (MPEs) podem adquirir ao buscar a internacionalização para expandir os seus negócios. Além da exportação, o pequeno empreendedor tem outros caminhos para atingir mercados de fora, que se tornaram mais acessíveis com a globalização.


Segundo a consultora de comércio exterior do Sebrae, Rose Mary Estacio, a internacionalização pode trazer benefícios para uma pequena empresa, como a compensação de oscilações do mercado interno e o aumento do ciclo de vida do produto.

"A internacionalização ajuda a empresa a enfrentar dificuldades internas, como crises econômicas e a forte concorrência", afirma. Embora a exportação ainda seja o principal canal para a internacionalização, há outras possibilidades.


OPÇÕES

Estacio cita como exemplo de opções parcerias em joint ventures, transferências de tecnologia, representação, franquias e licenciamento. Mas para decidir qual o melhor caminho para a expansão internacional é preciso um trabalho cuidadoso.


O primeiro passo é pesquisar. O objetivo é identificar em quais mercados o produto pode ter boa aceitação. Alguns sites como o do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), o Apex-Brasil e o Portal do Exportador trazem informações e números sobre diversos mercados.


A segunda etapa é o planejamento. O Sebrae mantém um programa de capacitação para internacionalização de MPEs. Além de palestras e workshops, oferece cursos e consultoria para auxiliar pequenos empresários a formular uma estratégia.


Outro ponto importante que o empresário deve ter em mente é a adequação do produto para o mercado externo. Detalhes como embalagem e design, além de atenção a diversas normas técnicas locais, são essenciais. A obtenção de certificados internacionais facilita e, em alguns casos, pode ser indispensável.


Uma barreira a ser considerada são os trâmites burocráticos locais. Nesse aspecto, paciência e persistência podem ser necessárias.


Foi o que percebeu o empresário André Krai. Em expansão no Brasil, sua empresa, a Container Ecology Store -um modelo de lojas instaladas em contêineres reaproveitados- atraiu investidores espanhóis. "Ainda não tinha pensado em expandir para fora, mas aproveitei a oportunidade". Com operações em Ibiza e em Barcelona, ele planeja atingir outras cidades espanholas e a Alemanha.

Burocracia

Krai afirma que o processo para liberação de documentos foi demorado no início, revelando uma burocracia tão grande como no Brasil.

Segundo ele, é essencial que o projeto esteja amadurecido para que o processo caminhe, já que os parceiros internacionais costumam ser exigentes. "Lá fora não tem 'jeitinho'. Ou está certo, ou não está", afirma Krai.


Pouca informação explica menor participação de pequenos no comércio exterior


Apesar das micro e pequenas empresas (MPEs) representarem 45% das companhias exportadoras brasileiras em 2011, a soma do valor em dólares das vendas externas dessas firmas representava apenas 0,8% do total das transações. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.


A principal razão para a fraca participação, dizem especialistas, é a falta de informação sobre como exportar, além do pouco conhecimento sobre mercados externos. Para Rose Mary Estacio, consultora de comércio exterior do Sebrae, muitas MPEs desconhecem as vantagens da internacionalização, que incluem isenções fiscais de IPI, PIS e Cofins em algumas modalidades de exportações.


Com foco nas vantagens do mercado externo, uma pequena empresa de Mogi das Cruzes (SP) conquistou espaço em diversos países antes de seu lançamento no Brasil. Segundo Jeferson Umezaki, gerente comercial da MN Própolis, a empresa fundada em 1992 já nasceu exportando toda a produção para o Japão.


Especializada em produtos orgânicos e derivados do mel, somente 12 anos depois, em 2004, a empresa passou a desenvolver produtos para atender ao mercado interno.

Umezaki diz que o fundador da empresa, Norihito Matsuda, sabia da demanda por própolis no Japão quando o produto ainda era pouco conhecido por aqui. Atualmente, a MN Própolis exporta para mais de dez países.


Nos últimos anos, passou a se dedicar também ao consumidor local e, hoje, 50% do faturamento da empresa já vem do mercado interno.

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