• Reforma Tributaria

Estratégia - Equipe define tática para vencer a crise



Recuperar a competitividade do estado, investir em tecnologia e agregar valor à produção da casa. Esses são alguns dos principais pontos que serão “atacados” pelo novo time de gestores públicos do estado ligados à área econômica para que o Paraná saia da retranca e recupere seu espaço no cenário nacional. Esse é o teor da reportagem publicada pelo diário Gazeta do Povo, edição desta terça-feira, 18, que entrevistou sete secretários, entre eles o secretário da Fazenda Luiz Carlos Hauly. Uma avaliação feita pelo Instituto Paranaense de desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) constatou que nos últimos anos, o Paraná perdeu participação no Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Diz o texto: “Sua fatia no bolo diminuiu de 6,4% em 2003 para 5,9% em 2010, segundo o novo presidente do Instituto Paranaense de Desenvol¬¬vimento Econô¬¬mico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lou¬¬renço”. O estado ficou para trás porque seu crescimento econômico no período – de 3,6% ao ano, em média – ficou abaixo da média nacional, de 4%. “O Brasil viveu um ciclo de crescimento, tendo sua maior fase de fortalecimento, e o Paraná não acompanhou. O governo anterior abandonou vários pontos importantes, como infraestrutura e atração de capital externo”, aponta Lourenço. Segue texto: A Gazeta do Povo ouviu os secretários da Fazenda, Indústria e Comércio, Ciência e Tecnologia, Agricultura e Planejamento, além dos presidentes do Ipardes e da Companhia Paranaense de Ener¬¬gia (Copel) para fazer um diagnóstico da situação econômica do estado e, também, identificar as áreas que vão receber atenção especial durante a gestão do governador Beto Richa. Há poucos dias nos cargos e ainda sem projetos consolidados, os sete são unânimes em apontar que o Paraná, digamos, se encontra na zona de rebaixamento. Mas dizem que ele pode, em breve, voltar a frequentar a parte de cima da tabela de classificação. Cássio Taniguchi, secretário de Planejamento: “Se o governo não atrapalha, a economia vai bem” Taniguchi assume o cargo trazendo na bagagem a experiência de ter sido ex-prefeito de Curitiba por dois mandatos e secretário de Planejamento no governo de Jaime Lerner. Segundo ele, é fundamental voltar a investir em áreas prioritárias, o que não teria ocorrido na gestão passada. “A ordem do governador para redução dos custos, no mínimo em 15%, é para sobrar mais dinheiro para investimento. A prioridade será infraestrutura e logística para que o Paraná volte a ter competitividade”, destaca.


Os primeiros investimentos, segundo ele, devem ocorrer em inovação tecnológica e na prestação de serviços, para que o Paraná volte a fazer pesquisa de ponta em algumas áreas, ultrapassando o Rio Grande do Sul nesse quesito. “O avanço da tecnologia vai qualificar a mão de obra parananense e ajudá-la a ter melhor remuneração”, acredita Taniguchi. O secretário diz saber da importância do agronegócio e da indústria automobilística para o estado, mas defende que é preciso diversificar a matriz econômica. Luiz Carlos Hauly, secretário da Fazenda “Dar competitividade gera renda e tributos” À frente da pasta responsável pela arrecadação estadual, Hauly vai administrar um orçamento de R$ 6,6 bilhões em 2011, um dos maiores do estado. A prioridade, segundo ele, é aumentar a competitividade do Paraná, trazendo mais empresas ao estado – o que, no futuro, vai resultar em mais arrecadação. “Dar condições de competitividade aos produtos daqui garante emprego, renda e tributos”, afirma. O caminho, segundo ele, é agregar valor aos produtos primários – que hoje, em sua maioria, deixam o estado na forma “in natura”. “Isso será feito através de investimentos em tecnologia”, diz Hauly.

Outros pontos importantes, segundo o secretário, são diminuir o custo dos encargos e “cobrar o tributo justo” – algo que, contudo, ele não revela como será feito. Entre as heranças deixadas pelo último governo, o secretário da Fazenda destaca como positivo os benefícios tributários dados a micro e pequenas empresas. “O Paraná teve política adequada para beneficiar essas empresas.” Lindolfo Zimmer, presidente da Copel “A expansão será sólida e responsável” Apesar da mudança de governo, o novo presidente da Copel – que entrou na empresa em 1965 e se aposentou em 2003 – promete manter a postura arrojada adotada pela gestão mais recente quando o assunto é a participação em leilões por concessões de transmissão e geração de energia, inclusive fora do Paraná. Outro assunto prioritário é a renovação do contrato de concessão da Copel Distribuidora, que expira em 2015. Ele pretende reforçar o pedido de apoio da bancada paranaense de deputados federais e promover uma ação integrada com outras empresas que também estão na dependência de renovação. Zimmer assume o cargo com R$ 1,8 bilhão nos cofres da empresa para iniciar a execução dos seus projetos. Em 2011, o plano de investimento é de R$ 2,06 bilhões, o maior da história da companhia. Um dos projetos mais ambiciosos foi anunciado pelo executivo em sua posse – segundo ele, até o fim do ano a estatal vai oferecer internet banda larga em todos os municípios aonde chega a rede de fibra ótica da empresa. Gilmar Mendes Lourenço, presidente do Ipardes “O Paraná perdeu o trem do crescimento” “O Paraná perdeu uma série de referências e oportunidades. Ficamos absolutamente estagnados. Precisamos rapidamente recuperar essa capacidade”, diz Lourenço. Para isso, afirma ele, o governo deve trabalhar com uma linha gerencial de recuperação. E, a partir de agora, os estudos e pesquisas fornecidos pelo Ipardes ganham status de “bússola”, sendo o ponto de partida para a tomada de decisões futuras, tanto públicas como privadas. Outro ponto crítico que precisa ser combatido imediatamente, segundo o novo presidente do instituto, é a falta de representatividade do estado no plano nacional – o Paraná tem pouco mais de 1% do Orçamento da União. “Um exemplo é o Programa de Aceleração do Crescimento [PAC], do qual o Paraná está à margem”, diz. Para Lourenço, outras medidas importantes são o ajuste fiscal, para reverter a deterioração da máquina pública, e a recuperação da competitividade das empresas do estado. Norberto Ortigara, secretário da Agricultura “Prioridade é ser área livre de aftosa” Após muito tempo de insatisfação, produtores rurais e profissionais da área parecem finalmente ter concordado com o titular da pasta, que atende a um setor que responde por um terço do PIB do estado. O secretário Norberto Ortigara, técnico agrícola e funcionário de carreira da secretaria desde 1979, é especialista na sua área. Ciente da responsabilidade e dos desafios, ele diz esperar eliminar os gargalos que afetam o desenvolvimento e a competitividade dos produtos paranaenses. Uma das prioridades é fazer com que o Paraná conquiste o status de estado livre da febre aftosa sem vacinação – depois dos casos da doença, em 2005, o estado acumulou perdas de US$ 1 bilhão. “Essa e outras doenças inibem a presença dos produtos paranaenses no mundo, pois existe retaliação”, afirma. Uma das medidas previstas é reforçar as barreiras interestaduais, hoje precárias. O secretário também espera melhorar a vida de quem mora no campo. A promessa é construir 10 mil habitações em quatro anos, entre outras benfeitorias. Ortigara também prevê investimentos em conservação das estradas rurais, e anuncia o retorno do investimento em pesquisa, com concurso para contratar de cerca de 450 técnicos. Ricardo Barros, secretário da Indústria e Comércio “Precisamos criar um bom ambiente de negócios” Barros planeja apresentar ao governador, dentro de 30 dias, o programa “Paraná Competitivo”. O objetivo é fazer um raio-x das condições para investimento e novos negócios no estado através da análise dos concorrentes em cada setor. “Precisamos criar um bom ambiente de negócios e investimentos, para ficarmos competitivos. Nos últimos anos, a política e os esforços de atração de empresas foram baixos. Por exemplo, o Porto de Paranaguá precisa saber o que os outros portos estão oferecendo para definir as prioridades por aqui. Queremos buscar investimentos no Brasil e no Mercosul”, diz. O programa, articulado pela pasta de Ricardo Barros, reúne esforços da Secretaria de Fazenda, do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Compagas, Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), aeroportos, Copel, Lactec e Agência de Fomento. A secretaria também quer “interiorizar” as novas indústrias e dar suporte para o desenvolvimento das atividades preponderantes em cada região do estado. Alípio Leal, secretário de Ciência e Tecnologia “Vamos trabalhar em parceria com as outras secretarias” A Secretaria de Ciência e Tecnologia será uma espécie de “mãe de todas”, já que uma das diretrizes do governo é o investimento em tecnologia. Por isso, o novo secretário quer trabalhar em parceria com as outras secretarias, para aplicar a tecnologia adquirida e também otimizar a aplicação dos recursos. “A secretaria sempre estará com as portas abertas. Não vamos trabalhar de forma restrita, como era antes”, afirma.Leal trabalha com três prioridades iniciais: estabelecer um conselho de reitores das universidades públicas, para que os projetos envolvam todas elas; criar uma rede estadual de ensino superior para integrar as instituições; e implantar o sistema estadual de educação.


“Precisamos ver a educação como um todo, desde o ensino infantil até a pós-graduação. Isso evitará ações sobrepostas.” O secretário também planeja investimentos na ampliação do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). “Nos últimos anos, o Tecpar não foi bem tratado. Hoje ele depende do estado, mas antes era autossuficiente. Precisamos fazer com que ele volte a ser uma referência nacional.”

Fonte: Gazeta do Povo


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